EPTS: o regulamento que tornou o tracking obrigatório na elite
Em 2015, a FIFA publicou as regulamentações dos Electronic Performance and Tracking Systems (EPTS), que estabelecem padrões técnicos para dispositivos vestíveis (GPS) e sistemas de câmera (óptico) usados no futebol profissional [1]. A regulamentação define: precisão mínima dos sensores, frequência de amostragem (mínimo 10 Hz para GPS de campo, 25 Hz para sistemas ópticos), e a obrigatoriedade de validação independente para uso em partidas oficiais.
Hoje, todas as partidas das principais ligas europeias (Premier League, Bundesliga, Serie A, La Liga, Ligue 1) e a Champions League geram dados de tracking registrados. A Bundesliga foi pioneira ao disponibilizá-los publicamente via parceria com a DFL e o provedor TRACAB/ChyronHego [3].
GPS vs. Óptico: tecnologias complementares
GPS (vestíveis): Coletes com chip GPS e acelerômetros que os jogadores vestem nos treinos (e em partidas, se aprovados pela federação). Medem posição global, velocidade, aceleração, desaceleração, distância percorrida, sprints acima de 25 km/h, e carga interna via variabilidade de frequência cardíaca. Os provedores líderes são STATSports (usado pelo Manchester City, Liverpool) e Catapult [5].
Sistemas Ópticos (câmeras): O TRACAB usa câmeras de alta velocidade nas laterais do estádio para rastrear todos os jogadores e a bola via visão computacional. Não exigem dispositivos nos jogadores — portanto são obrigatórios em partidas oficiais onde o GPS não é permitido pela FIFA durante jogos. A frequência de 25 Hz permite calcular velocidade instantânea, aceleração e métricas espaciais como distância entre linhas e espaço disponível.
O que os dados de tracking revelam que o vídeo não mostra
Visualizar uma partida no vídeo permite observar o comportamento da bola e dos jogadores em destaque. Tracking data revela o que acontece longe da bola — movimentação sem posse, posicionamento defensivo, compactação do bloco, intensidade de pressão. Métricas derivadas:
- PPDA (Passes Permitidos por Ação Defensiva): Mede a intensidade de pressão alta. Quanto menor o PPDA, mais agressiva a pressão.
- Largura e profundidade médias: Posicionamento médio do time sem bola — compactação ou extensão tática.
- Espaço atrás da linha defensiva: Vulnerabilidade a passes em profundidade e bolas na costas.
- Velocidade máxima de sprint: Comparada entre jogadores, posições e ao longo da temporada — indicador de fadiga acumulada.
Aplicações práticas: carga de treino e prevenção de lesões
Durante treinos, o GPS é a ferramenta primária de gestão de carga. Carga aguda (últimos 7 dias) vs. carga crônica (últimas 4 semanas) — a razão entre as duas é o principal preditor de risco de lesão por overtraining [4]. Uma razão aguda:crônica acima de 1.5 indica risco elevado.
Clubes como Liverpool e Manchester City usam painéis de dados de GPS em tempo real durante treinos, com alertas automáticos quando jogadores ultrapassam limiares de carga estabelecidos pela equipe médica.
📡 Dados gerados por uma partida de 90 minutos (sistema TRACAB):
- ~2,7 GB de dados brutos de posição
- ~135.000 leituras por jogador (25 Hz × 5.400 segundos)
- Velocidade máxima registrada, aceleração de pico, distância total por zona de velocidade
- Eventos sincronizados: posição de cada jogador no momento de cada passe, chute e duelo
Referências
- FIFA. Electronic Performance and Tracking Systems (EPTS) Regulations. FIFA Quality Programme, 2020. Disponível em: fifa.com/technical
- Castellano, J. et al. Reliability and Accuracy of 10 Hz GPS Devices for Short-distance Exercise. Journal of Sports Science & Medicine, 10(1), 233–234, 2011.
- ChyronHego/TRACAB. TRACAB Optical Tracking System Technical Documentation. chyronhego.com, 2023. Disponível em: chyronhego.com
- Impellizzeri, F.M. et al. External and Internal Training Load: 15 Years On. International Journal of Sports Physiology and Performance, 14(2), 270–273, 2019.
- Catapult Sports. GPS and Inertial Measurement Unit Solutions for Elite Football. catapult.com, 2024. Disponível em: catapult.com
EPTS: the regulation that made tracking mandatory in elite football
In 2015, FIFA published the Electronic Performance and Tracking Systems (EPTS) regulations, setting technical standards for wearable GPS devices and camera-based optical systems in professional football [1]. Today, all matches in major European leagues generate registered tracking data. The Bundesliga was pioneering in making it publicly available via a partnership with DFL and TRACAB/ChyronHego [3].
GPS vs. Optical: complementary technologies
GPS (wearables): Vest-worn GPS chips measuring position, speed, acceleration, distance, high-speed runs (>25 km/h), and internal load via heart rate variability. Leading providers: STATSports (Manchester City, Liverpool) and Catapult [5].
Optical Systems (cameras): TRACAB uses high-speed cameras to track all players and the ball via computer vision at 25 Hz — mandatory for official matches where wearable GPS isn't permitted during games.
What tracking data reveals that video doesn't
- PPDA (Passes Allowed per Defensive Action): Measures high-press intensity.
- Average width and depth: Team positioning without the ball — compactness or tactical extension.
- Space behind the defensive line: Vulnerability to through balls.
- Maximum sprint speed: Compared across players and throughout the season — indicator of accumulated fatigue.
Practical applications: training load and injury prevention
During training, GPS is the primary load management tool. Acute load (last 7 days) vs. chronic load (last 4 weeks) — the ratio between them is the primary predictor of overtraining injury risk [4]. An acute:chronic ratio above 1.5 indicates elevated risk.
References
- FIFA. EPTS Regulations. FIFA Quality Programme, 2020. Available at: fifa.com/technical
- Castellano, J. et al. Reliability and Accuracy of 10 Hz GPS Devices. Journal of Sports Science & Medicine, 10(1), 233–234, 2011.
- ChyronHego/TRACAB. TRACAB Optical Tracking System. chyronhego.com, 2023.
- Impellizzeri, F.M. et al. External and Internal Training Load: 15 Years On. IJSPP, 14(2), 270–273, 2019.
- Catapult Sports. GPS Solutions for Elite Football. catapult.com, 2024. Available at: catapult.com
EPTS: la regulación que hizo obligatorio el tracking en la élite
En 2015, la FIFA publicó las regulaciones de Sistemas Electrónicos de Rendimiento y Seguimiento (EPTS), estableciendo estándares técnicos para dispositivos GPS y sistemas ópticos [1]. Hoy, todos los partidos de las principales ligas europeas generan datos de tracking registrados.
GPS vs. Óptico: tecnologías complementarias
GPS (vestibles): Miden posición, velocidad, aceleración, distancia y carga interna. Los líderes son STATSports y Catapult [5]. Sistemas Ópticos: TRACAB usa cámaras de alta velocidad a 25 Hz — obligatorios en partidos oficiales donde el GPS vestible no está permitido durante el juego.
Lo que los datos de tracking revelan
- PPDA: Mide la intensidad de la presión alta.
- Anchura y profundidad medias: Posicionamiento del equipo sin balón.
- Velocidad máxima de sprint: Indicador de fatiga acumulada.
Aplicaciones: carga de entrenamiento y prevención de lesiones
La ratio entre carga aguda (últimos 7 días) y carga crónica (últimas 4 semanas) es el principal predictor de riesgo de lesión [4]. Una ratio aguda:crónica superior a 1,5 indica riesgo elevado.
Referencias
- FIFA. Regulaciones EPTS. FIFA Quality Programme, 2020. Disponible en: fifa.com/technical
- Castellano, J. et al. Reliability and Accuracy of 10 Hz GPS Devices. JSSM, 10(1), 233–234, 2011.
- ChyronHego/TRACAB. TRACAB Optical Tracking System. chyronhego.com, 2023.
- Impellizzeri, F.M. et al. External and Internal Training Load: 15 Years On. IJSPP, 14(2), 270–273, 2019.
- Catapult Sports. Soluciones GPS para Fútbol de Élite. catapult.com, 2024. Disponible en: catapult.com